quarta-feira, 26 de novembro de 2014

OS DESLIMITES DAS PALAVRAS


Ando muito completo de vazios. Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas


MANOEL DE BARROS

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poesia de pureza.